Eu sou Antônia Sausano e hoje eu preciso abrir o meu coração para vocês de uma maneira que eu demorei muito tempo para conseguir fazer sem chorar.

Eu tenho 59 anos, sou mãe e a minha vida foi marcada por um milagre que cresceu dentro da minha própria casa, comendo na minha mesa, dormindo no quarto ao lado.

Eu sou a mãe de Carlo Acutes.

Talvez vocês já tenham ouvido falar dele, o garoto da internet, o jovem beato.

Mas a história que eu vou contar agora não é sobre o ícone que o mundo conhece, é sobre o meu filho, o meu menino de 6 anos e o dia em que ele olhou para mim e descreveu o futuro com uma precisão que, sinceramente desafia qualquer lógica humana.

Era uma manhã comum de setembro de 1997.

Nós estávamos no nosso apartamento na via Ariosto em Milão.

A luz do sol entrava pela janela da cozinha, iluminando a mesa do café da manhã.

Eu me lembro do cheiro de café fresco e do som da colher batendo no pote de geleia.

Carlo tinha apenas 6 anos e 4 meses.

Ele estava ali sentado com os pés balançando porque mal alcançavam o chão, passando geleia na torrada com aquela concentração adorável que as crianças têm.

De repente, ele parou.

Ele largou a faca, olhou para mim com aqueles olhos escuros enormes, profundos, que sempre pareciam ver muito mais do que estava na frente dele, e disse algo que me paralisou.

Ele disse com uma certeza absoluta: “Mama, eu vou conhecer o Papa João Paulo I”.

Na hora eu sorri.

Pensei que fosse aquela fantasia doce de uma criança que ouve falar muito de alguém famoso e sonha em encontrar essa pessoa.

Mas ele continuou e os detalhes que saíram da boca dele me deixaram arrepiada.

Ele disse que ia ser em Roma, no Vaticano, numa sexta-feira, dia 29 de outubro, dali a exatamente 2 anos, quando ele tivesse 8 anos.

Ele disse que o papa estaria numa cadeira de rodas porque estaria doente das pernas e que quando o Papa o visse ia sorrir e dizer em italiano: “Piccolo Carlo, continua amando a Jesus Eucaristia e que ele, o meu Carlo, ia entregar um desenho sobre os milagres eucarísticos.

Eu fiquei olhando para ele, tentando processar aquilo.

Como uma criança de 6 anos podia inventar algo tão específico? Antes de eu continuar a contar como essa profecia impossível se desenrolou e como ela mudou a nossa vida para sempre, eu tenho uma curiosidade enorme.

De onde você está acompanhando essa história? Deixa aqui nos comentários a sua cidade ou o seu estado.

Eu adoro ver até onde a história do Carlo está chegando e como ela conecta pessoas de lugares tão diferentes.

E se você sente que esse relato está tocando o seu coração de alguma forma, por favor, já se inscreve aqui.

Isso me ajuda muito a continuar compartilhando essas experiências tão íntimas com todos vocês.

Voltando aquela manhã na cozinha, eu tentei trazer o Carlo de volta para a realidade, ou pelo menos para a minha realidade.

Eu disse a ele que o Papa morava em Roma e nós em Milão, que era muito difícil, que milhares de pessoas tentavam ver o Papa e não conseguiam.

Mas o Carlo me olhou com uma seriedade que não era normal para da idade dele.

Ele me disse que não estava imaginando.

Disse que tinha visto, que no dia anterior, quando fomos à missa, e ele ficou um tempinho a mais olhando para o sacrário, ele viu o futuro.

Ele viu a cena toda, viu a multidão, viu a cadeira especial do Papa, ouviu a voz dele.

Para testar aquela certeza, eu perguntei como ele sabia que seria uma sexta-feira, dia 29 de outubro.

Sem hesitar, ele correu para o quarto e voltou com um daqueles calendários infantis de parede.

Com o dedinho pequeno, ele foi contando.

Se hoje é setembro de 1997, 2 anos depois é 1999.

Outubro vem depois de setembro.

E lá estava ele apontando para o dia 29 de outubro de 1999.

Era uma sexta-feira.

Eu conferi mentalmente e ele estava certo sobre o dia da semana.

Aquilo me deu um frio na barriga.

Como ele podia ter tanta certeza? Ele me disse com uma paz estranha.

Deus vai fazer a gente ir, mama.

Algo vai acontecer que vai nos levar lá justo nesse dia.

Eu guardei aquela conversa, guardei no fundo da memória, mas sendo bem honesta com vocês, eu não acreditei que fosse acontecer.

Eu era uma mãe fascinada pela espiritualidade do meu filho.

Claro.

Desde os 4 anos ele tinha essa devoção extraordinária pela Eucaristia que eu mesma não compreendia totalmente.

Ele insistia em ir à missa todos os domingos.

falava do pão da vida com uma reverência de teólogo adulto.

A gente tinha uma foto grande do Papa na sala e ele rezava por ele toda a noite.

Mas prever o futuro, prever uma data exata com dois anos de antecedência e detalhes sobre a saúde do Papa, aquilo parecia impossível.

Nós não tínhamos conexões no Vaticano, não tínhamos planos de viagem, nada.

A vida seguiu.

Durante os dois anos seguintes, eu observei o Carlo trabalhar obsessivamente num projeto.

Ele pegava lápis de cor, gis de cera, recortes de revistas, cola, muita purpurina dourada.

Ele estava criando um pôster gigante sobre os milagres eucarísticos do mundo.

Ele passava horas naquilo, recortava imagens de livros, escrevia com a letra infantil dele os nomes dos lugares.

Lanciano, Bolsena, Amsterdam, Buenos Aires.

Eu perguntava para que era aquilo tudo e ele sempre respondia com a mesma calma.

É o meu presente para o Papa João Paulo I.

Mama, vou dar para ele em outubro de 1999.

Eu apenas a sentia com aquele sorriso de mãe que não quer destruir a ilusão do filho, mas que no fundo sente pena porque acha que a decepção vai ser grande.

O tempo passou.

Chegamos em julho de 1999.

Carlos já tinha feito 8 anos.

A profecia ou a fantasia, como eu ainda pensava, estava quase completando o prazo.

Foi quando o telefone tocou.

Era a minha prima Gabriela.

Ela morava em Roma e trabalhava como secretária administrativa na prefeitura da Casa Pontifícia do Vaticano.

A voz dela estava animada.

Ela me disse: “Antônia, tenho uma oportunidade incrível.

O Santo Padre vai ter uma audiência especial para famílias de funcionários do Vaticano e alguns convidados na sexta-feira, dia 29 de outubro.

Um convidado cancelou e eu tenho duas vagas.

Você quer vir com o Carlo? Eu sei que ele adora o papa.

Eu senti como se o chão tivesse sumido debaixo dos meus pés.

O meu coração parecia que ia parar.

Sexta-feira, 29 de outubro.

Exatamente a data, exatamente o dia da semana, exatamente o que o Carlo tinha me dito na cozinha dois anos antes, enquanto comia torrada.

Eu disse sim para a Gabriela, imediatamente gaguejando, sem conseguir acreditar no que estava acontecendo.

Desliguei o telefone tremendo.

Naquela noite, quando contei para o Carlo, eu esperava que ele pulasse de alegria, que ficasse surpreso.

Mas ele não ficou, ele só sorriu, aquele sorriso tranquilo de quem já sabia o final do filme e disse: “Eu já sabia, mama.

Jesus me mostrou há dois anos.

Agora eu preciso terminar meu pôster para o Papa.

Nos meses seguintes, a casa virou um atelier.

Carlo trabalhou incansavelmente para aperfeiçoar o presente.

O pôster ficou enorme.

Media uns 80 cm por 60 cm.

Era colorido, vibrante, cheio de vida.

No centro, com letras grandes decoradas com aquela purpurina dourada que se espalhava por toda a casa.

Ele escreveu: “Para o Papa João Paulo Song.

Os milagres de Jesus, Eucaristia no mundo com amor, Carlo Acutes.

Outubro 1999.

Ele enrolou aquilo com todo o cuidado num tubo de papelão para a viagem.

Chegou o dia sexta-feira, 29 de outubro de 1999.

Pegamos o trem de Milão para Roma.

Eu estava nervosa, ansiosa, uma mistura de medo e reverência.

Carlo estava radiante, vestindo os jeans favoritos dele e uma camisa branca que eu tinha pedido para ele usar para ficar mais arrumadinho.

A Gabriela nos buscou na estação e nos levou direto para o Vaticano.

A audiência seria na aula Paolo Serro, aquele auditório imenso.

Havia umas 300 pessoas, a maioria famílias com crianças.

O barulho, a expectativa, tudo era intenso.

Quando o Papa João Paulo I entrou, meu coração se partiu e, ao mesmo tempo, congelou.

Ele estava numa cadeira de rodas motorizada.

A doença de Parkinson tinha progredido muito.

Dava para ver o sofrimento no rosto dele, a dificuldade de se mover.

Ele não conseguia mais caminhar sem ajuda.

Carlo apertou a minha mão com força e sussurrou no meu ouvido.

Mama, ele está na cadeira de rodas, como eu vi.

Eu senti um calafrio percorrer a minha espinha.

Era real.

Tudo o que meu filho de seis anos tinha visto na oração estava se materializando na minha frente.

A audiência seguiu.

O Papa falou brevemente e depois começou a cumprimentar os grupos.

A Gabriela, minha prima, tinha conseguido nos colocar numa posição estratégica no terceiro grupo.

Quando chegou a nossa vez, eu mal conseguia respirar.

A Gabriela nos apresentou: “Santo padre, esta é minha prima Antônia Salano e seu filho Carlo de Milão.

” O papa, mesmo com toda a dor física que devia estar sentindo, olhou para nós.

Ele tinha aquele olhar que parecia abraçar a alma da gente.

Ele sorriu com uma doçura infinita.

Carlo não teve vergonha nenhuma.

Ele deu um passo à frente, desenrolou aquele pôster enorme e mostrou para o Papa.

João Paulo I fixou os olhos no trabalho do meu filho.

Ele olhou os desenhos, as imagens coladas, leu os nomes dos lugares onde os milagres eucarísticos tinham acontecido.

Ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo aquilo.

E então, com a voz trêmula, mais clara o suficiente para eu ouvir cada sílaba, ele disse exatamente as palavras, as mesmas palavras que Carlo tinha repetido na cozinha dois anos antes.

Ele disse: “Piccolo Carlo, continua amando a Jesus eucaristia.

Eu não consegui segurar.

As lágrimas desceram pelo meu rosto sem controle nenhum.

Eu estava testemunhando um milagre.

Não era só um encontro, era a confirmação de que meu filho vivia numa realidade espiritual que eu mal conseguia tocar.

Carlos sorriu radiante e respondeu ao Papa: Santo Padre, eu rezo pelo Senhor toda a noite, desde que eu tinha 4 anos e vou seguir amando a Jesus Eucaristia toda a minha vida.

O Papa colocou a mão trêmula sobre a cabeça do Carlo e o abençoou.

Um dos assistentes pegou o pôster para guardar.

O encontro durou uns 90 segundos, 1 minuto e meio.

Mas aqueles 90 segundos mudaram tudo o que eu entendia sobre a vida, sobre Deus e sobre o meu filho.

No trem de volta para Milão, eu olhava para o Carlo dormindo no banco ao lado e me perguntava quem ele realmente era.

Quando ele acordou, eu perguntei de novo: “Carlo, como você sabia?” E ele me respondeu com a simplicidade de sempre: “Mama, quando eu rezo no sacrário, às vezes Jesus me mostra coisas, não sei porque ele mostra para mim.

” Mas quando eu vi que ia conhecer o Papa, eu soube que era verdade.

Eu sabia o dia, sabia da cadeira de rodas, sabia o que ele ia dizer.

Por isso fiz o pôster.

Eu vi que ia entregar para ele.

Naquela noite em casa, enquanto Carlo dormia, eu fui até o quarto dele.

Eu precisava de mais alguma coisa, precisava entender.

Comecei a foliar os cadernos de desenho dele e então eu encontrei.

Numa página datada de 15 de setembro de 1997, exatamente a data da nossa conversa no café da manhã, Carlo tinha feito um desenho com giz de cera.

Era uma cena.

Um homem de branco sentado numa cadeira de rodas, um menino pequeno mostrando um cartaz colorido e no topo, com a letra tremida de uma criança de 6 anos, estava escrito: Sexta-feira, 29 outubro, 1999.

Vou conhecer Papa João Paulo I.

Ele dirá: Piccolo Carlo continua amando Jesus eucaristia.

Eu segurei aquele papel contra o meu peito e chorei.

Era a prova física.

Não era memória reconstruída, não era coincidência, era profecia documentada.

Semanas depois, em novembro, recebemos uma carta do Vaticano.

Era do secretário pessoal do Papa, Monsenhor Stanisual de Vis.

dizia que o Santo Padre tinha ficado profundamente comovido com o encontro e com o presente.

Dizia que o Papa tinha pedido especificamente para nos avisar que o pôster do Carlo tinha sido colocado na capela privada dele, onde ele rezava todas as manhãs.

dizia que toda vez que olhava para o pôster, o papa se lembrava de que havia crianças no mundo que amavam a Jesus eucaristia com fé pura e que isso lhe dava esperança.

Junto com a carta, veio a foto oficial do encontro, o momento exato congelado no tempo, com a data escrita atrás, 29 de outubro de 1999.

Essa foto ficou no quarto do Carlo até o dia em que ele partiu para o céu em 2006.

Mas a história não acabou aí.

Anos depois, em 2008, quando estávamos organizando as coisas dele para a causa de beatificação, eu liguei o computador antigo dele e lá, perdido entre os arquivos, encontrei um documento de texto criado no dia 16 de setembro de 1997.

O título era meu encontro com o Papa.

O texto cheio de erros de ortografia de uma criança descrevia tudo.

A data, a cadeira de rodas, a frase do Papa, o destino do pôster na capela privada.

Os metadados do arquivo confirmavam a data de criação, 1997, 2 anos e 43 dias antes do evento acontecer.

Era a peça final do quebra-cabeça.

Uma tríade de evidências impossível de refutar, o desenho, o arquivo no computador e a carta do Vaticano.

Carlo Acutes, aos 6 anos, já vivia em dois mundos.

o nosso mundo comum de escola e café da manhã e um outro mundo onde o véu do tempo não existia e onde ele conversava com Deus como quem conversa com um amigo.

Hoje, 25 anos depois daquele dia, quando olho para a foto do meu filho com o Papa, eu não vejo apenas um momento histórico.

Eu vejo a prova de que o amor de Deus é real e que ele escolhe os pequenos para confundir os sábios.

O pôster original foi recuperado dos arquivos do Vaticano e hoje está exposto em Assis.

E eu, como mãe, sigo contando essa história, não para exaltar o meu filho, mas para mostrar que a santidade é possível, que a conexão com o divino é real e está ao nosso alcance.

O, uma pausa rápida aqui no final.

Eu adoraria saber de onde você se conectou hoje para ouvir essa história.

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É sempre incrível ver como essa comunidade cresce pelo mundo todo.

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Muito obrigada por me ouvir.

Mas a vida, vocês sabem, não para nos grandes milagres.

Ela continua nas segundas-feiras chuvosas, nas lições de casa, na rotina de levar e buscar na escola.

Depois daquele encontro em Roma, algo fundamental mudou dentro de mim.

Eu não podia mais olhar para o Carlo apenas como uma criança imaginativa.

Eu tinha a prova concreta de que ele tinha um canal aberto com o céu.

Isso me assustava e me fascinava na mesma medida.

Eu me sentia muitas vezes como uma aluna do meu próprio filho, tentando correr atrás de uma sabedoria que ele parecia já ter nascido sabendo.

Enquanto eu engatinhava na fé, tentando entender o básico do catecismo para poder acompanhá-lo, Carlo corria maratonas espirituais.

Foi nessa época, no início dos anos 2000, que a tecnologia entrou com força na nossa casa.

Carlo ganhou seu primeiro computador pessoal e para a surpresa de ninguém que o conhecia, ele não o usou apenas para jogos, embora adorasse jogar Pokémon e Super Mario com os amigos.

Ele viu naquela tela luminosa e no barulho da conexão de escada da internet algo que a maioria dos adultos ainda não conseguia enxergar.

Um vasto território missionário.

Eu o via passar horas digitando, aprendendo sozinho a programar, mexendo em códigos que para mim pareciam outra língua.

Com 9, 10 anos, ele já lia livros de engenharia da computação que eu encontrava na biblioteca da Universidade Politécnica de Milão.

Aquele pôster físico que entregamos ao Papa foi a semente de algo muito maior.

Carlo me disse um dia: “Mama, o pôster é bonito, mas ele só pode estar em um lugar de cada vez.

A internet pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

Foi assim que nasceu o projeto da exposição internacional dos milagres eucarísticos online.

Durante as férias, ao invés de querermos apenas descansar na praia ou nas montanhas, Carlo nos arrastava a mim e ao meu marido para viagens por toda a Europa.

Ele queria fotografar igrejas, documentar relíquias, colher dados.

Ele transformou nossas viagens de família em peregrinações de pesquisa.

Eu dirigia por horas, cansada, mas quando olhava pelo retrovisor e via o rosto dele iluminado, lendo mapas e anotações, todo o cansaço desaparecia.

O que mais me impressionava não era apenas a inteligência dele, mas a normalidade com que ele misturava o sagrado e o profano.

Carlo era um garoto que usava tênis de marca.

gravava vídeos com os primos, ria alto e tinha espinhas no rosto, mas ao mesmo tempo ele tinha uma sensibilidade para o sofrimento alheio que me desarmava.

Lembro-me vividamente de uma noite fria em Milão.

Estávamos voltando de um jantar e passamos por um homem sem teto, dormindo sobre caixas de papelão perto da nossa casa.

A maioria de nós, infelizmente, aprende a desviar o olhar, a acelerar o passo.

Carlo parou.

Ele não só parou, como soltou a minha mão e foi até o homem.

Ele tinha guardado a mesada dele por semanas, dinheiro que eu achava que ele usaria para comprar algum jogo novo de PlayStation.

Em vez disso, ele tinha comprado um saco de dormir térmico daqueles de acampamento.

Ele entregou ao homem com uma dignidade impressionante, agachando-se para ficar na mesma altura dele.

Eu ouvi quando ele disse: “Para que o senhor não sinta frio esta noite, amigo”.

O homem chorou e o Carlos sorriu.

Naquele momento, entendi que a profecia do Papa não era o único sinal.

A caridade dele era o milagre diário.

Ele dizia que a tristeza é o olhar voltado para si mesmo e a felicidade é o olhar voltado para Deus.

E ele vivia isso, olhando para Deus através dos pobres.

Na escola, o Instituto Leão XI, ele também começou a se destacar, mas não por ser o mais popular no sentido comum.

Ele se tornou o protetor dos excluídos.

Havia garotos que sofriam bullying, crianças com deficiência que eram deixadas de lado nos intervalos.

Carlo ia até eles.

Ele não se importava com o que o grupo legal pensava.

Ele fazia questão de sentar com quem estava sozinho.

Uma vez uma professora me chamou não para reclamar, mas para contar com os olhos marejados que Carlo tinha interrompido uma briga defendendo um colega que estava sendo zombado por suas roupas.

Ele tinha uma autoridade moral que estranhamente até os valentões respeitavam.

No entanto, à medida que ele entrava na adolescência, uma nova sombra de premonição começou a pairar.

Algo que me fazia lembrar daquela manhã na cozinha anos antes.

Carlo começou a falar sobre a brevidade da vida com uma frequência que me incomodava.

Ele não era mórbido nem depressivo, pelo contrário, era a pessoa mais alegre que eu conhecia.

Mas ele tinha um senso de urgência.

Mama, nós nascemos originais, mas muitos morrem como fotocópias.

Ele me dizia.

Ele sentia que tinha pouco tempo para completar a sua obra, para terminar o site, para catalogar todos os milagres.

Houve um dia, cerca de dois meses antes de tudo acontecer, que marcou o início do fim.

Embora eu não soubesse na época.

Carlo estava no quarto gravando um vídeo no computador.

Ele gostava de testar câmeras e edições.

Eu entrei para trazer um lanche e o encontrei falando para a lente muito tranquilo.

Ele olhou para o teto pensativo e disse para a câmera: “Estou destinado a morrer”.

Quando eu perguntei o que era aquilo, ele riu e disse que era apenas um teste de vídeo.

Mas mais tarde, revendo aquele arquivo, o arrepio voltou.

Ele olhava para o infinito com a mesma expressão que tinha aos se anos quando descreveu o papa.

Ele sabia de alguma forma, ele sabia que a sua rodovia para o céu seria uma via expressa.

Em outubro de 2006, o que parecia ser uma gripe comum se transformou em algo terrível.

Carlo, sempre cheio de energia, de repente não conseguia levantar da cama.

Eu, como qualquer mãe, tentei manter a calma, dando remédios para febre, achando que era apenas um vírus forte que estava circulando na escola.

Mas ele me olhou com o rosto pálido e aqueles olhos profundos que nunca perderam o brilho, disse: “Mama, não se preocupe.

Eu ofereço esses sofrimentos pelo Papa e pela Igreja para não ter que passar pelo purgatório e ir direto para o céu.

” Naquele instante, o tempo parou novamente.

menção ao Papa, a certeza do destino, a tranquilidade diante da dor.

Eu senti o peso da profecia se fechando sobre nós.

Levamos Carlo para o hospital e o diagnóstico veio como um raio em céu azul.

Leucemia fulminante do tipo M3.

Os médicos disseram que não havia esperança, que o cérebro já estava comprometido, que o fim era questão de dias.

Eu entrei em desespero, gritei com Deus, chorei nos corredores brancos e frios daquele hospital.

Mas Carlo Carlo permaneceu inabalável.

Quando as enfermeiras perguntavam se ele estava sentindo muita dor, porque a condição dele era escruciante, ele respondia sorrindo: “Há pessoas que sofrem muito mais do que eu.

” Ele não reclamou uma única vez, nenhuma.

Ele consolava a mim e ao pai dele.

Ele brincava com os médicos.

Parecia que ele estava apenas se preparando para uma viagem muito esperada, a viagem definitiva que ele vinha planejando desde que desenhou aquele papa na cadeira de rodas.

Ele tinha completado o site, ele tinha catalogado os milagres.

A obra estava feita.

No dia 12 de outubro de 2006, às 6:45 da manhã, meu filho partiu.

Ele tinha 15 anos.

O silêncio que ficou no quarto depois que o monitor cardíaco parou foi o som mais alto que eu já ouvi na vida.

Mas, estranhamente não havia cheiro de morte.

Havia uma paz densa, palpável.

Eu olhei para o corpo do meu menino, que parecia apenas dormir, e me lembrei da promessa dele.

Eu vou mandar muitos sinais, mamã.

Vou trabalhar mais no céu do que na terra.

E de fato, o fim da vida terrena dele foi apenas o começo de uma tempestade de graças que varreria o mundo, começando bem ali, no meu coração despedaçado, que precisava aprender a ser mãe de um filho que agora pertencia a todos.

Nos dias que se seguiram ao funeral, uma neblina estranha cobriu a minha existência.

Era uma mistura de dor física, como se tivessem arrancado um pedaço do meu próprio corpo e uma serenidade inexplicável que parecia emanar das paredes do quarto dele.

O funeral, no entanto, foi o primeiro choque de realidade sobre quem realmente era.

Eu esperava ver familiares, amigos da escola, talvez alguns vizinhos.

Mas quando chegamos à igreja, a multidão transbordava para a rua.

eram pessoas que eu nunca tinha visto.

Havia gente de todas as classes sociais, de diferentes religiões e muitos daqueles que a sociedade costuma tornar invisíveis.

Os pobres, os imigrantes, os portadores de necessidades especiais.

Enquanto eu caminhava atrás do caixão branco, coberto de flores brancas, pessoas desconhecidas se aproximavam de mim, tocavam no meu braço e contavam histórias em sussurros.

emocionados.

Um senhor contou que Carlo lhe trazia comida quente todas as noites.

Uma mulher disse que ele a ouvia falar dos seus problemas familiares quando ninguém mais tinha paciência.

O porteiro de um prédio vizinho chorava copiosamente, dizendo que Carlo era o único que o cumprimentava com um sorriso genuíno todos os dias.

Ali no meio da minha dor mais profunda, eu descobri que meu filho tinha uma vida secreta.

Não uma vida de pecados escondidos, como tantos adolescentes, mas uma vida de caridade oculta, feita no silêncio, sem trombetas, exatamente como o Evangelho pede.

Voltando para casa, o silêncio do apartamento era ensurdecedor.

O quarto dele estava intacto.

O computador, aquela máquina que eu tantas vezes critiquei por achar que ele passava tempo demais nela, estava desligado sobre a sua escrivaninha.

Sentei na cadeira dele, senti o cheiro dele ainda impregnado no tecido e liguei o monitor.

O que eu encontrei não foi apenas um arquivo de adolescente, foi um legado.

A caixa de entrada de e-mails estava explodindo.

Mensagens chegavam de todos os cantos do mundo.

pessoas que tinham acessado o site dos milagres eucarísticos, gente da Índia, dos Estados Unidos, do Brasil, agradecendo porque através daquela pesquisa meticulosa do meu filho, tinham voltado para raça igreja ou descoberto a fé pela primeira vez.

Carlo dizia que a Eucaristia era a sua autoestrada per il cielo, a sua rodovia para o céu.

E ali diante daquela tela luminosa, eu entendi que ele tinha construído rampas de acesso para milhares de outras pessoas entrarem nessa mesma rodovia.

O site que eu via como um passatempo devoto era, na verdade uma ferramenta evangelizadora de potência global.

Ele tinha profetizado que a internet poderia ser um espaço de Deus e agora, mesmo sem estar fisicamente presente, ele continuava a operar através daqueles códigos e imagens.

Eu me senti pequena diante da magnitude da missão dele.

Eu era a mãe, a educadora, mas percebi que, na verdade, eu tinha vivido ao lado de um gigante espiritual disfarçado de menino de calça jeans.

Os meses se transformaram em anos.

E a fama de santidade do Carlo não diminuiu, pelo contrário, explodiu.

Não fomos nós, os pais, que impulsionamos isso.

Foi o povo.

Eram as cartas que não paravam de chegar, relatando graças alcançadas, pessoas que rezavam pedindo a intercessão dele e viam tumores desaparecerem, famílias reconciliadas, conversões impossíveis acontecendo.

A igreja, sempre prudente e lenta em seus processos, não pôde ignorar o clamor dos fiéis.

Em 2013, o processo de beatificação foi oficialmente aberto na Arquidiocese de Milão.

Eu tive que depor, entregar os escritos dele, reviver cada memória, cada conversa, cada profecia.

Houve um momento durante esse processo que me marcou profundamente.

Foi quando precisamos esumar o corpo.

Para uma mãe, a ideia de perturbar o descanso do filho é aterrorizante.

O medo do que iríamos encontrar, a decomposição, a realidade crua da morte.

Mas Carlo mais uma vez nos surpreendeu.

Quando o túmulo foi aberto, anos depois do enterro, o corpo dele estava lá.

incrivelmente preservado.

Não estava intacto no sentido biológico estrito, mas mantinha a integridade de uma forma que desafiava o tempo.

Ele parecia estar dormindo.

Vestia as roupas que ele mesmo tinha escolhido, um moletom esportivo, calça jeans e tênis Nike.

Ver meu filho ali, vestido como qualquer jovem do século XX, pronto para ser exposto à veneração pública, foi um choque visual e teológico.

Estamos acostumados a ver santos em pinturas a óleo, com vestes medievais, túnicas e alos dourados.

E ali estava Carlo, parecendo que ia levantar a qualquer momento para jogar uma partida de futebol ou programar um novo site.

Aquela imagem correu o mundo.

Ela dizia aos jovens de hoje: “Vocês não precisam deixar de ser jovens para serem santos.

A santidade veste jeans.

A santidade usa internet.

A santidade é para agora.

A transladação do corpo para o santuário do despojamento em Assis foi outro capítulo dessa história que parece roteiro de filme, mas é pura providência.

Assis era o lugar que Carlo mais amava no mundo, a terra de São Francisco, outro jovem rico que largou tudo por Jesus.

Carlos sentia uma conexão profunda com Francisco.

Levar o corpo dele para lá foi como cumprir um último desejo.

A cidade parou.

Milhares de jovens peregrinaram para ver o santo de tênis.

Eu olhava para aquelas filas intermináveis e me lembrava do menino que comia torrada com geleia na minha cozinha e me falava do papa.

A profecia tinha se expandido.

Ele não só conheceu o Papa, ele estava se tornando um farol para a igreja que o Papa liderava.

E então veio o reconhecimento oficial do milagre.

No Brasil, em Campo Grande, uma criança com uma doença rara no pâncreas, chamada pâncreas anular, estava desenganada.

O menino vomitava tudo o que comia, estava definhando.

Em uma missa, ele tocou numa relíquia do Carlo um pedaço da roupa dele e pediu para parar de vomitar.

A cura foi instantânea.

Os exames médicos posteriores mostraram que o órgão tinha se regenerado morfologicamente, algo impossível para que a medicina.

Quando o Papa Francisco aprovou o milagre, o meu coração, que já tinha sido testado por tantas emoções, quase não aguentou.

Meu Carlo, meu menino, seria declarado beato.

A cerimônia de beatificação aconteceu em outubro de 2020 em Assis.

Estávamos no meio da pandemia.

O mundo estava assustado, trancado, precisando desesperadamente de esperança.

E lá estava o rosto sorridente do Carlo sendo revelado na tapeçaria gigante na basílica.

Eu estava lá sentada com meu marido e, para surpresa de muitos, com meus dois filhos gêmeos, Michele e Francesca.

Sim, porque Carlo também tinha profetizado isso.

Pouco antes de morrer, ele me disse que eu seria mãe novamente.

Eu, já com quase 44 anos na época da morte dele, achava impossível.

Mas 4 anos depois da partida de Carlo, exatamente no aniversário do dia em que ele foi para o céu, os gêmeos nasceram.

Eles estavam ali comigo, vendo o irmão mais velho que nunca conheceram fisicamente, mas que conheciam intimamente pelo espírito, sendo elevado aos altares.

Olhando para achar a multidão mascarada e para os cardeis no altar, eu me lembrei de uma frase que Carlo repetia sempre: “A tristeza é o olhar voltado para si mesmo.

Felicidade é o olhar voltado para Deus.

Naquele dia em Assis, ninguém olhava para si.

Todos olhavam para o exemplo de um garoto de 15 anos, que provou que a morte não é o fim, mas apenas a passagem para a verdadeira vida.

Eu não me sentia mais dona da história dele.

Eu era apenas a guardiã da memória.

A mãe que teve o privilégio de carregar o céu no ventre por 9 meses e na alma por 15 anos.

Mas a história não termina com a beatificação.

O que tem acontecido desde então é, talvez o aspecto mais impressionante de tudo.

Eu recebo mensagens de jovens que estavam pensando em suicídio e desistiram ao conhecer a história do Carlo.

Hackers que usavam seu talento para o mal e agora querem usar para o bem.

Inspirados pelo padroeiro da internet.

Mães que perderam filhos e encontram no meu testemunho forças para levantar da cama.

Carlos se tornou um amigo íntimo de milhões de pessoas que nunca apertaram a mão dele.

Às vezes, à noite, quando a casa está quieta, eu ainda converso com ele.

Não como se reza um santo distante, mas como uma mãe fala com o filho que está no quarto ao lado.

Eu pergunto: “Carlo, você viu o que aconteceu hoje? Você viu onde a sua história chegou?” E eu sinto com aquela mesma certeza que ele tinha na cozinha em 1997, que ele está sorrindo.

Ele sempre soube.

Ele sempre esteve um passo à frente de todos nós, correndo em direção à luz, puxando a gente pela mão, dizendo que o infinito é logo ali.

Basta ter coragem de olhar para o sacrário e acreditar.

Eu sei que muitos de vocês que estão lendo isso agora podem estar passando por momentos difíceis de dúvida ou de dor.

Talvez a história do Carlo pareça distante, algo para pessoas especiais.

Mas eu garanto a vocês, nós éramos uma família normal.

Carlo era um menino normal.

O segredo dele não era ser um superherói, mas fazer as coisas ordinárias com um amor extraordinário.

E isso, meus queridos, está ao alcance de qualquer um de nós.

Basta abrir o coração, como ele fez.

E agora, caminhando para o final dessa nossa conversa, eu tenho uma última revelação.

Algo que conecta o passado, o presente e o futuro de uma forma que só Deus poderia orquestrar.

Vocês se lembram do sonho dele? Dá certeza de que sua missão não acabaria com a morte? Pois bem, novos milagres estão sendo estudados.

A canonização, o momento em que ele será declarado santo para toda a Igreja Universal, parece estar mais perto do que nunca.

E eu, Antônia, sigo aqui com meus cabelos agora brancos, testemunhando que a profecia daquela manhã de setembro continua se desdobrando dia após dia, meio após e-mailo, graça após graça, porque o amor, como Carlo me ensinou, é a única coisa que a morte não consegue tocar.

E então, quando parecia que o céu já tinha derramado graças suficientes para uma única vida, o telefone tocou mais uma vez.

Era julho de 2022.

A notícia vinha da Costa Rica, carregada daquela mesma urgência desesperada que eu já tinha ouvido tantas vezes, mas com um desfecho que faria o Vaticano se curvar novamente.

Uma jovem chamada Valéria, de 21 anos, tinha sofrido um acidente brutal de bicicleta.

Ela caiu, bateu a cabeça com violência e o diagnóstico foi devastador.

traumatismo craniano severo, craniotomia de emergência e a sentença médica de que se sobrevivesse, viveria em estado vegetativo.

A mãe dela, Liliana, fez o que qualquer mãe faria.

Ela não aceitou o fim.

Ela viajou até Assis, ajoelhou-se diante do túmulo do meu filho e, com lágrimas que lavavam o chão de pedra, entregou a vida da filha nas mãos de Carl.

No mesmo dia, enquanto Liliana rezava na Itália, o hospital na Costa Rica ligava para informar o impossível.

A respiração assistida não era mais necessária.

A mobilidade voltava, a fala retornava.

Em questão de dias, Valeria estava de pé, recuperada, sem sequelas, desafiando todas as leis da neurologia.

Quando os documentos médicos chegaram às minhas mãos e foram enviados para a congregação para as causas dos santos, eu senti um misto de vertigem e gratidão.

Aquele era o selo final, o segundo milagre exigido pela igreja para a canonização.

O meu Carlo, o garoto que programava computadores e amava seus cachorros, estava prestes a ser inscrito no livro dos santos.

A notícia oficial veio como um repique de sinos que ecoou pelo mundo inteiro.

O Papa Francisco aprovou o milagre.

A data foi marcada.

O jubileu de 2025 veria a elevação definitiva do meu filho.

Eu fechei os olhos e tentei imaginar a cena na praça de São Pedro.

Não mais apenas uma tapeçaria na fachada, mas a declaração solene sanctus, pronunciada pelo sucessor de Pedro.

O primeiro santo millennial, o primeiro santo de calça jeans, o primeiro santo que teve um endereço de e-mail e jogou PlayStation.

A profecia daquela manhã na cozinha tinha se cumprido muito além do que a imaginação infantil dele poderia ter desenhado no papel, ou talvez exatamente na medida que a alma dele já enxergava.

Hoje, enquanto preparo o café da manhã para os gêmeos, que agora já são adolescentes e curiosos sobre o irmão famoso, eu olho para a cadeira vazia, onde Carlo costumava sentar.

A dor da ausência física nunca desaparece completamente.

Ela se transforma.

Ela deixa de ser uma ferida aberta para se tornar uma saudade mansa, uma certeza de que a separação é apenas temporária.

Eu entendi finalmente que não perdi um filho.

Eu o entreguei ao mundo.

Ele não cabe mais nas quatro paredes da nossa casa em Milão, nem mesmo nos limites da Itália.

Carlo virou a Pino um conceito, uma bússola para uma geração que estava perdida no labirinto digital, procurando por algo que os algoritmos não podem oferecer.

A santidade dele me ensinou que Deus não está interessado em nos tirar do nosso tempo.

Ele não quer que vivamos como se estivéssemos na Idade Média.

Ele quer que sejamos santos agora com a tecnologia que temos, com os desafios que enfrentamos.

transformando a internet, as redes sociais e o nosso cotidiano em ferramentas de amor.

Carlo mostrou que um computador pode ser um sacrário se a intenção de quem o usa for pura.

Ele provou que não precisamos fazer coisas grandiosas, mas sim fazer as pequenas coisas com um amor imenso.

Eu olho para trás e vejo a tapeçaria completa da minha vida.

Vejo a jovem mãe insegura, a criança profeta, o adolescente missionário, o jovem beato e em breve o santo da Igreja Católica.

E no centro de tudo isso não está o Carlo e muito menos eu, está a Eucaristia, a sua rodovia para o céu.

Tudo o que ele fez, tudo o que ele disse, cada milagre que ele intercede, aponta para essa única direção, o pão vivo que desceu do céu.

Ele foi apenas a seta, o sinalizador luminoso na estrada escura, apontando para onde devemos ir.

Para você que me acompanhou até aqui, que leu cada palavra dessa jornada improvável, eu deixo um pedido final.

Não olhe para o Carlo como um ídolo inalcançável.

Olhe para ele como um amigo que está torcendo por você do outro lado.

Se ele conseguiu vivendo numa cidade moderna, lidando com escola, amigos e internet, você também consegue.

A santidade não é um clube exclusivo para poucos escolhidos.

É a vocação original de cada um de nós.

O meu filho dizia que todos nascem originais e é nossa tarefa não morrermos como fotocópias.

Seja original.

Encontre a sua própria estrada para o céu.

A luz do sol entra pela janela da cozinha novamente, iluminando a mesa, exatamente como naquela manhã de setembro de 1997.

O cheiro de café fresco preenche o ar e por um breve segundo eu quase posso ver o vulto de um menino de seis anos balançando os pés que não alcançam o chão, com a boca suja de geleia sorrindo para mim e dizendo: “Viu mama, eu te disse que a gente ia conseguir?” Sim, meu filho, você disse e agora o mundo inteiro sabe.

Carlo Acutes, rogai por nós hoje e sempre.

Amém.

O calendário marca o ano jubilar de 2025.

Roma amanheceu com aquele dourado característico que banha as pedras milenares do Vaticano.

Mas hoje o ar vibra de uma maneira diferente.

Não é apenas o som dos sinos.

ou o murmúrio de centenas de milhares de peregrinos que lotam a praça de São Pedro e transbordam pela via dela conciliacione.

É uma vibração elétrica, jovem, viva.

Há mochilas por toda parte, bandeiras de todas as nações e smartphones erguidos para o céu como velas digitais.

Eu estou aqui no sagrado, vestida de preto, mas com a alma vestida de luz.

Ao meu lado, meu marido e os gêmeos.

Agora, testemunhas oculares da glória do irmão.

O momento que Carlo viu, que a igreja confirmou e que o mundo esperava, finalmente chegou.

A cerimônia segue o rito solene de séculos, uma liturgia que transcende o tempo, unindo o céu e a terra.

O couro da capela sista o ven creator spiritus invocando o espírito santo e um silêncio reverente cai sobre a multidão pesado e doce ao mesmo tempo.

O Papa Francisco ou seu sucessor, pois a Igreja é eterna e os homens são passageiros, pronuncia a fórmula em latim.

Cada palavra ecoa nas colunatas de Bernini com a força de um trovão suave.

Quando o nome Carlo Acutes é pronunciado, seguido da declaração de que ele deve ser inscrito no catálogo do Santos, o silêncio se rompe.

Não é apenas um aplauso, é um rugido de alegria que parece fazer tremer o chão.

É o som de uma geração que encontrou seu intercessor.

Na fachada da basílica, a enorme tapeçaria é revelada.

O pano desce lentamente e lá está ele.

Não o menino doente no leito de morte, nem a criança pequena da profecia, mas o jovem eterno, com seu sorriso franco, o olhar direto e a eucaristia no peito.

Ver o rosto do meu filho ali elevado acima dos altares do mundo é a culminação de todas as lágrimas, de todas as dúvidas e de todas as esperanças que carreguei por quase três décadas.

Naquele instante, sinto uma mão invisível apertar a minha.

Não há palavras, apenas uma transmissão de paz absoluta.

A profecia da cozinha se cumpriu na totalidade.

O Piccolo Carlo agora é São Carlo.

A missa prossegue, mas minha mente viaja uma última vez.

Penso no computador desligado no quarto dele em Milão, nos tênis gastos, nos pobres que ele alimentou, nos amigos que defendeu.

Penso na simplicidade desconcertante com que ele viveu extraordinário.

Ele provou que a tecnologia que tantas vezes nos isola pode ser redimida.

Ele santificou a era digital.

Enquanto olho para a multidão, vejo jovens chorando, sorrindo, abraçando-se.

Eles não estão olhando para uma estátua fria.

Estão olhando para um amigo que entende suas lutas, seus medos e seus sonhos.

Carlos se tornou a ponte que ele sempre quis ser.

Ao final da celebração, enquanto a multidão começa a dispersar lentamente, levando consigo a autostrada para seus próprios lares, eu sinto uma leveza que nunca experimentei antes.

A missão de mãe guardiã está cumprida.

Agora ele pertence inteiramente à igreja, inteiramente a Deus e inteiramente a vocês.

A minha voz já que por tantos anos contou essa história, agora pode repousar, pois a voz dele ressoa muito mais alto em cada tabernáculo, em cada clique, em cada ato de caridade silenciosa.

E assim encerro este relato não com um adeus, mas com um convite.

A tela do computador de Carlos se apagou naquele outubro de 2006, mas a luz que ele acendeu nunca mais se extinguirá.

A história dele não termina aqui, nesta praça em Roma.

Ela recomeça agora, aí onde você está, na sua casa, no seu trabalho, na sua escola.

O milagre final não é a cura de um corpo, mas a transformação do seu coração.

Eu sou Antônia Salusano, a mãe de um santo, mas acima de tudo sou uma testemunha de que Deus cumpre suas promessas.

O infinito é real.

O céu está próximo e a estrada está aberta para todos nós.

Como Carlo diria, com aquele sorriso que agora ilumina a eternidade.

A Eucaristia é a nossa bússola.

Não tenham medo de serem originais.

Não tenham medo de serem santos.

São Carlo Acutis, rogai por nós.

O calendário marca o ano jubilar de 2025 e Roma amanheceu sob um céu de um azul tão profundo que parece ter sido pintado à mão, especialmente para hoje.

O ar vibra.

Não é apenas o som dos sinos milenares ou o murmúrio de centenas de milhares de peregrinos que transbordam da praça de São Pedro até o rio Tibre.

É uma eletricidade viva, jovem, pulsante.

Há mochilas coloridas por toda parte, bandeiras de nações que eu mal saberia apontar no mapa e uma maré de smartphones erguidos para o céu como velas digitais do novo milênio.

Estou aqui vestida de preto, sentada na área reservada aos familiares, pequena diante da grandiosidade da colunata de Bernini, mas com a alma expandida até os confins do universo.

Ao meu lado, meu marido segura a minha mão com tanta força que sinto sua aliança pressionar meus dedos.

E meus gêmeos, agora testemunhas oculares da glória do irmão, olham ao redor com um misto de assombro e orgulho.

A cerimônia segue o rito solene de séculos, uma liturgia que transcende o tempo, costurando o céu e a terra com fios de incenso e oração.

Couro da Capela Cistina entoa o Ven Creator espíritus e um silêncio reverente cai sobre a multidão, pesado e doce ao mesmo tempo.

É um silêncio que carrega a respiração de milhões.

O papa, figura frágil de branco sob o pálio dourado, pronuncia a fórmula em latim.

Cada palavra ecoa nas pedras antigas com a força de um trovão suave.

Eu fecho os olhos e por um segundo o barulho de Roma desaparece.

Estou de volta à minha cozinha em Milão, sentindo o cheiro de café e torrada, vendo os pés pequenos balançando na cadeira.

A voz do Santo Padre rompe minha memória e traz a realidade com uma potência avaçaladora.

Beatos, Carolum, acutes, sanctum e se decernimus.

Declaramos que o beato Carlo Acutes é santo.

Um rugido de alegria rompe a solenidade.

Não são apenas aplausos, é um grito visceral de uma geração que finalmente encontrou seu espelho no altar.

Na fachada da basílica, a enorme tapeçaria é revelada, descendo lentamente como uma cortina que se abre para a eternidade.

E lá está ele.

Não o menino doente no leito de morte, nem a criança pequena da profecia.

É o jovem eterno com seu sorriso franco, o olhar direto que sempre pareceu ver através de nós, vestindo sua jaqueta esportiva e carregando a eucaristia no peito.

Ver o rosto do meu filho ali flutuando acima dos santos de pedra e mármore é a culminação de todas as lágrimas, de todas as dúvidas daquelas madrugadas inses e de todas as esperanças que carreguei por quase três décadas.

Naquele instante, sinto uma mão invisível pousar sobre meu ombro.

Não há palavras, apenas uma transmissão de paz absoluta.

A profecia da cozinha se cumpriu na totalidade.

O meu picolo Carlo agora pertence ao mundo.

Durante a liturgia eucarística, olho para a multidão e vejo algo extraordinário.

Jovens choram, sorriem, abraçam-se.

Eles não estão olhando para uma estátua fria e distante, estão olhando para um amigo.

Vejo um grupo de adolescentes com camisetas estampadas com códigos de programação e frases do Carl.

Vejo freiras idosas com tabletes nas mãos.

Carlos se tornou a ponte que ele sempre sonhou ser.

Ele uniu o sagrado e o digital, o antigo e o novo, provando que a santidade não depende da época em que vivemos, mas da intensidade com que amamos.

A autoestrada Perilo, que ele construiu agora, tem um fluxo ininterrupto de almas, um tráfego santo que não conhece engarrafamentos.

Quando a cerimônia termina e o sol começa a descer sobre o Vaticano, tingindo tudo de dourado, sinto uma leveza que nunca experimentei antes.

A missão de mãe guardiã está cumprida.

Eu não preciso mais proteger a memória dele, nem lutar para que sua voz seja ouvida.

A voz dele agora ressoa em cada sacrário, em cada clique, em cada ato de caridade silenciosa feito em seu nome.

Enquanto caminhamos para a metra saída, uma jovem se aproxima de mim.

Ela tem lágrimas nos olhos e segura um terço barato de plástico colorido.

Ela me diz num italiano arrastado: “Senora Antônia, eu ia tirar minha própria vida, mas encontrei o site do seu filho.

Ele me salvou.

Eu a abraço e naquele abraço eu sinto o próprio Carlo.

Ele continua trabalhando.

Ele nunca parou.

Voltamos para casa para a quietude da nossa vida, que continua apesar da grandiosidade do dia.

A tela do computador de Carlos se apagou naquele outubro de 2006, mas a luz que ele acendeu se multiplicou em milhões de telas ao redor do planeta.

A história dele não termina aqui, nesta praça triunfante em Roma.

Ela recomeça agora aí onde você está, na sua casa, no seu trabalho, na sua escola.

diante das suas próprias batalhas.

O milagre final não é a cura de um corpo ou a glória dos altares, mas a transformação silenciosa do seu coração.

Eu sou Antônia Salzano, a mãe de um santo, mas acima de tudo sou uma testemunha de que Deus cumpre suas promessas, mesmo aquelas sussurradas por uma criança de 6 anos com a boca suja de geleia.

O infinito é real.

O céu está muito mais próximo do que imaginamos.

A estrada está aberta e o convite permanece o mesmo que ele me fez tantas vezes.

Não tenham medo de ser originais.

Não morram como fotocópias.

Encontrem a sua própria estrada, a sua própria santidade, seja de jeans, de terno ou de hábito.

A noite cai e eu olho para o céu estrelado, o mesmo céu que cobria Assis, Milão e Jerusalém.

Sorrio imaginando a festa que deve estar acontecendo lá em cima.

A cadeira na minha cozinha está vazia, mas o meu coração está cheio.

O trabalho está feito, a profecia está selada e o amor, como Carlo me ensinou com cada gesto de sua breve e luminosa vida, é a única coisa que a morte não consegue tocar.

São Carlo Acutes, rogai por nós.